"[...] Na istrada do disingano/andei de noite e de dia/inludido percurano/aprendê o qui num sabia [...]" (Elomar Figueira Melo. Desafio - Fragmento do quinto canto: Das violas da morte, do Auto da Catingueira)





terça-feira, 12 de abril de 2011

A versão da morte do atirador do Realengo

Por Jotavê
O ponto baixo dessa cobertura foi a aceitação completamente acrítica da versão da polícia sobre a morte do assassino. Repito hoje o que eu disse naquele dia. Eu, no lugar desses policiais, também teria atirado para matar. Acho que eles merecem elogios pelo que fizeram - não APESAR da morte de Wellington, mas TAMBÉM por causa dela. Há situações em que a polícia tem que MATAR. Revólver, aliás, serve exatamente para isso, em última instância. A instância em que esse rapaz desequilibrado morreu era claramente a última. Os policiiais estavam CERTOS, portanto.
Só que vivemos num país em que a polícia frequentemente mata sem nenhum motivo, e que tem uma imprensa (notadamente a televisiva) que atua como verdadeira cúmplice desses assassinatos. Só se rendem às evidências quando há uma câmera escondida mostrando a ação dos policiais. Aí, engatilham aquele velho discurso da "minoria que desonra a farda", etc. Se não tem vídeo, compram o discurso da polícia sem nenhum questionamento. Confissões obtidas durante a madrugada são consideradas a coisa mais normal do mundo. Nunca vi um repórter de televisão desconfiar de que houve emprego de tortura nesses casos, ou coisa assim. 
Qualquer pessoa que reveja aquele vídeo verá que existe uma edição CLARA nas imagens, que CORTA exatamente o momento em que o atirador é baleado. A edição da Record filmou o local exato em que o bandido foi baleado: o DESCANSO da escada que vai para o segundo andar. Ele não morreu no início da escada, de modo algum. Se deu mesmo um tiro na própria cabeça (o que é uma probabilidade altamente improvável), ele desceu do descanso até o meio da escada, e morreu ali. A cena toda, desde o primeiro tiro até a constatação da morte, durou pelo menos um minuto. Corresponde ao corte feito na edição das imagens. Para que fazer esse corte? 
Nenhum repórter questionou isso. Todos fizeram coro à versão oficial - o soldado deu um tiro na perna do assassino (o que é visível no vídeo), e este último se matou logo em seguida com um tiro na cabeça. Como disse um colega aqui do blog, um caso típico de "suicide by cop". Wellington planejou ESSE desfecho exatamente, e não um outro qualquer. A pergunta que eu faço é muito simples: prá que mentir?
Por Stanley Burburinho
12/04/2011 - 17h27 / Atualizada 12/04/2011 - 18h05
Laudo conclui que atirador de Realengo cometeu suicídio, diz IML do Rio
Do UOL Notícias
Em São Paulo
O Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro divulgou nota nesta terça-feira (12) afirmando que o laudo cadavérico de Wellington de Menezes Oliveira, 23, concluiu que o atirador cometeu suicídio.
Segundo a nota, os ferimentos penetrantes e transfixantes que levaram a morte de Wellington foram provocados por "ação perfuro contundente de projétil de arma de fogo (PAF) no crânio (têmpora direita) e abdômen com lesão de encéfalo, fígado e rim direito". De acordo com os legistas, um dos indícios de que houve suicídio foi o tiro encostado na têmpora, mas o confronto balístico ainda será finalizado.
A nota do IML informa ainda que a chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, determinou que os laudos cadavéricos das crianças não será divulgado
(...)

Nenhum comentário:

Postar um comentário